Amor & Ódio - Capítulo 3



CAPÍTULO 03
Personagens deste capítulo:


ADELAIDE
ALEXANDRE
AMARÍLYS
BEATRIZ

BERENICE
BIANCA
CECÍLIA
DULCINÉIA
FÁTIMA
FERNANDO
ISABELLA
JULIANA
MALVINA
NANÁ
NATÁLIA
TIÃO
ULISSES
VICENTE
VITORINO
XAVIER




CENA 01. RODOVIÁRIA DAS DORES. EXT. DIA.
O ônibus estaciona no ramal. Os passageiros vão descendo. Amarílys, Isabella e Thomaz descem do veículo.  A primeira tem uma expressão confiante.
AMARÍLYS: Sejam bem-vindos a Nossa Senhora Das Dores!
A CAM mostra a reação de estranhamento de Isabella e Thomaz.
ISABELLA enojada: Que lugarzinho retrô com cheiro de naftalina. Parece que desembarquei em uma daquelas novelas do Aguinaldo!
AMARÍLYS: Ah Bella, não fale assim. Irá amar!
ISABELLA: Odiar é bem mais fácil, mamy!
Enquanto isso, Thomaz não dá trela para a conversa. O rapaz observa Cecília desembarcar. Os dois trocam olhares discretamente. A moça se aproxima da avó.
ADELAIDE: Querida, não sabe como me senti esses meses sem ter você aqui!
CECÍLIA: Também estava com saudades d’ocês! E era muita!
Cecília abraça a avó e depois a amiga Bianca. Um homem pega as malas de Cecília e segue as mulheres. O olhar de Thomaz segue a jovem. Isabella se aproxima.
ISABELLA: Venha Thomaz! Precisamos de um carro que nos leve a tal da fazenda.
Thomaz sai do transe e logo se junta à irmã e a mãe. Berenice, de frente ao seu bar, os vê e volta para o interior do estabelecimento.
Corta para:


CENA 02. ESCRITÓRIO/ FAZENDA. INT. DIA.
Continuação da cena 14, capítulo 2. Clima tenso. Fernando muito preocupado. Vitorino bem calmo.
FERNANDO: Estamos no vermelho, padrinho! É dívida atrás de dívida! Tá tudo acumulado.
VITORINO: Eu sei disso, Nando. Eu fiquei muito endividado uma época atrás e pedi ajuda a um grande amigo, Antônio Mezenga. Ele me ajudou demais e agora que ele morreu a pouco tempo o filho dele quer a dívida paga. Eu já tentei todos os modos, mas não consegui nada.
FERNANDO: Por que ficou calado esse tempo todo, padrinho? As contas normais já não estão batendo. A fazenda tá no prejuízo danado! Já sei o que irei fazer: vou na fazenda Mezenga!
VITORINO: Não se irrite com isso, meu filho. Fique tranquilo.
Fernando sai em disparada. Vitorino apenas reprova com a cabeça.
VITORINO constata: Preciso revelar meu grande segredo!
Vitorino olha o horizonte.
Corta para:


CENA 03. BAR. PRAÇA. INT/ EXT. DIA.
Continuação da cena 01. Berenice se volta para o interior do estabelecimento. Ela se aproxima do grupo formado por Ulisses, Vicente e Tião.
BERENICE: Chegou gente nova por aqui! Um moço muito bonito, uma loirinha e uma mulher metidona!
Os homens logo se levantam e vão para a porta do estabelecimento.
VICENTE: E não é que é verdade?
ULISSES: Tu tava achando que minha esposa mente, sô!
Ulisses dá um tapa na cabeça do amigo. Tião fica vidrado em Amarílys e vai se aproximando do trio na praça.
TIÃO: Amarílys?!
Os três se voltam para o homem. Amarílys o reconhece e abri um sorriso, Tião faz o mesmo. Quando os olhares se encontram começa a tocar: “Como vai Você? – Daniela Mercury”.
TIÃO: Nem tô acreditando que é você, Amarílys!
Amarílys em um rompante o abraça.
Corta para:


CENA 04. ESCRITÓRIO/ HOTEL DAS DORES. INT. DIA.
Alexandre está vendo alguns detalhes e Juliana adentra um pouco cabisbaixa. O vice-prefeito percebe a falta de alegria na esposa.
ALEXANDRE: O que houve meu amor?
Juliana se aproxima lhe dá um selinho.
JULIANA: Estou cansada das pessoas ficarem me olhando torto por aí... Eu não tô me achando digna de você. Merecia uma pessoa melhor que eu!
ALEXANDRE: Ei. Você é a mulher que eu quero para minha vida inteira! Não ligue para o que esse povo fala. O que importa é que você sabe quem você é!
Alexandre se aproxima da esposa e lhe rouba um beijo.
JULIANA: Te amo!
Os dois continuam abraçados.
Corta para:


CENA 05. QUARTO DE VITORINO/SALA DE ESTAR/ FAZENDA. INT.DIA.
Fátima se aproxima de Vitorino.
FÁTIMA: Tem um povo lá na sala. Vieram do Rio de Janeiro!
VITORINO: Do Rio?
FÁTIMA: É. A mais velha é toda chicosa e disse ser sua sobrinha.
Já na sala, Isabella observa o teto, enojada. Thomaz fica pensativo, seus devaneios estão em Cecília. Vitorino aparece.
VITORINO: Amarílys?!
AMARÍLYS: Tio!
Vitorino abraça a sobrinha, bem emocionado.
VITORINO: Dê café aos meus sobrinhos, Fatinha!
Fátima corre para a cozinha. Malvina fica por ali.
ISABELLA: Poderia ser um achocolatado, né?
MALVINA: Mas aqui não é confeitaria, não sô.
Malvina sai mal humorada para a cozinha.
Corta para:



CENA 06. COZINHA/ CASA DE TIÃO. INT. DIA.
Tião calado, sentado a beira da janela olhando o horizonte. Ao fundo, Naná mexendo nas panelas que estão no fogão à lenha. A esposa nota.
NANÁ: Que houve, Tião? O gato comeu sua língua? Tá aí todo parado desde que chegou da rua.
TIÃO: Nada não, mulher. Deixa eu em meu canto!
NANÁ: Me diga, logo! O que aconteceu na rua pra tu ter chegado assim?
TIÃO: Eu já te disse que nada, sô!
Tião irritado sai dali indo em direção ao quarto. Naná observa o marido.
NANÁ pensando alto: Isso tá muito estranho, mas eu descubro!
A mulher volta para seus afazeres.
Corta para:

 
CENA 07. SALA DE ESTAR/ FACHADA/ FAZENDA. INT. DIA.
Continuação da cena 05. Amarílys e Vitorino estão em conversa adiantada. Enquanto, Thomaz está sentado no murinho da varanda, ele pensa em Cecília. Isabella, Fátima e Malvina também estão por ali.
VITORINO: Eu fiquei sabendo que seu marido foi preso e morreu. É uma tragédia. Meus sentimentos, sobrinha!
AMARÍLYS: Devido a todas essas circunstâncias, eu e meus filhos viemos nos hospedar por alguns dias, talvez semanas...
ISABELLA impaciente: A real é a seguinte: Vamos ficar por aqui!
VITORINO: Aqui!?
O velho se levanta surpreso.
AMARÍLYS: Eu voltei para ficar, titio!
Vitorino se aproxima da sobrinha. Ele está enigmático, mas logo abre um sorriso.
VITORINO: Família é pra ficar junta! (à Fátima): Arruma os quartos, Fatinha!
Vitorino abraça a sobrinha. Isabella contente se aproxima do irmão. O rapaz pensa em Cecília.
FLASH BACK ON
A jovem se movimenta rapidamente e acaba esbarrando no olhar de Thomaz. Cecília tenta se voltar para a Bíblia.
CECÍLIA pede a si mesma: Se concentre na Palavra, Cecília! Se concentra!
Thomaz continua compenetrado em Cecília e seu jeito harmonioso.
FLASH BACK OFF
Thomaz sai de seus pensamentos. Dá um sorrisinho. Isabella nota.
ISABELLA brinca: Já tá caidinho hein!
Os dois riem. Malvina, de longe, espia os irmãos.
corta para:
 
CENA 08. NOSSA SENHORA DAS DORES. EXT. NOITE.
A cidadezinha iluminada à noite. Transeuntes bem arrumados indo em direção ao Hotel. Termina a sequência na Fachada da Fazenda de Vitorino.
Ao som de “Beijinho Doce”.


CENA 09. VARANDA/FACHADA DA FAZENDA. EXT. NOITE.
Sonoplastia: Grunhidos de sapos, grilo. Isabella com o celular em punho tentando algum sinal de internet. Ela se mostra irritada.
ISABELLA: Inferno. Não tem um sinal pra nada! Que lugarzinho minha mãe foi me meter!
Ela continua na busca pelo sinal de internet. Do outro lado da varanda, Fernando chega cabisbaixo, raivoso. Os dois estão tão entretidos em suas pequenas ilusões que não percebem um ao outro. Em poucos minutos, eles acabam se esbarrando. No reflexo, Fernando ampara a moça.
FERNANDO preocupado: Cê tá bem, moça? Tonta?
Um silêncio e uma troca de olhares bem intenso.
ISABELLA voltando a si: Meu Celular, olha o que você fez com ele? Me solte, seu grosso!
Isabella dá leves tapas até que o rapaz a solta e ela cai ao chão e dispara um leve grito de dor.
FERNANDO: Mal agradecida!
Malvina aparece terminando de se arrumar.
MALVINA: Até que enfim ocê chegou! Vá se banhar pra modi de nós ir logo pra festa!
 Isabella fica apenas observando o rapaz. Enquanto, Fernando adentra a casa.
Corta para:


CENA 10. SALA DE ESTAR/ CASA DE XAVIER. INT. NOITE.
Beatriz vem toda chorosa do quarto. Enquanto Natália está na sala sentada no sofá lixando as unhas.
BEATRIZ: Ah... Olhe estoure parecendo um repolho com esse vestido verde! Não irei à festa!
NATÁLIA: Quem manda comer o que vê pela frente. Vai explodir igual Dona Redonda!
BEATRIZ: Melhor morrer de comer do que ser uma mal comida e falada pela cidade!
NATÁLIA: Cale-se!
Natália já avançando pra cima da irmã. Xavier as assusta.
XAVIER: Epa! Epa! Sentindo.
As moças fazem sinal de reverência dos soldados.
AS DUAS: Sim, senhor!
XAVIER: Ocês tão brigando é? Tão querendo pagar castigo em plena festa da padroeira?
NATÁLIA: Nós brigando? Imagina pai!
Natália pega Beatriz pelos braços e lhe dá um abraço.
BEATRIZ: É que meu vestido não está muito apresentável, papai! Estou me achando horrorosa! Não irei à festa! Pode me deixar por aqui...
XAVIER: Nada disso! Nenhuma de minhas filhas vai ficar em casa, sô! (à Beatriz): E não esquente com vestido. Você tá tão linda de bonita, como dizem por aí...
Xavier dá os dois braços para as filhas e logo saem.
Corta para:


CENA 11. QUARTO DE CECÍLIA/ CASA DE ADELAIDE. INT. NOITE.
Cômoda com uma foto de Cecília. Imagens de alguns santos. Cecília está pensativa dobrando algumas roupas, quando Bianca adentra o quarto tirando a moça de seus pensamentos.
BIANCA: Notei que ocê tá aí toda suspirosa...
CECÍLIA: Eu? Não.
BIANCA: Ocê sim! Somos amigas... Sei quando tu tá toda diferente!
CECÍLIA: Você está certa, mas não quero ficar pensando nisso.
BIANCA: Pensar em o que?
CECÍLIA: No rapaz!
BIANCA: Que rapaz? Cecília você...
CECÍLIA: Não pira, Bianca! Nada disso que você está pensando. Um rapaz ficou me observando, admirando no ônibus... Trocamos alguns olhares e só!
BIANCA: É melhor tirar isso da mente, mesmo.
CECÍLIA: Como? Ele está aqui na cidade!
O silêncio se instaura quando Adelaide adentra o quarto.
ADELAIDE: Está tudo do seu jeito?
CECÍLIA: Tudo sim, minha avó! Estava pensando aqui em ir a festa que o Prefeito está dando no Hotel.
ADELAIDE: Como assim, minha neta? Ir à festa promovida pela pérfida esposa do Vice-prefeito?
CECÍLIA: É uma festa para Nossa Senhora das Dores... Seria uma falta de ingratidão das servas de Deus!
BIANCA: Isso é verdade!
ADELAIDE: Cale-se Bianca! (à Cecília): Está bem! Iremos a essa festa. O Senhor não pode ficar triste conosco. É bom que eu vá mesmo, por que preciso defender a boa moral dessa festa! Se aprontem o mais rápido possível!
Adelaide deixa o quarto.
Corta para:


CENA 12. ESCRITÓRIO/ FAZENDA. INT. NOITE.
Sons de grilos e sapos. Fernando sentado ali de prosa com Vitorino, que está sentado à mesa.
FERNANDO: Então é isso, padrinho: o tal do filho do Mezenga não estava. Foi viajar pra São Paulo!
VITORINO: Deixe que eu me resolvo depois com esse cabra...
FERNANDO: O senhor não tem tanta saúde pra isso!
VITORINO: Mudando o assunto: viu os meus sobrinhos? Eles vão passar um tempo por aqui!
FERNANDO: Aquela loirinha aguada mal agradecida ficar aqui? Esse lugar não é pra ela!
VITORINO: Mas é o único que ela tem! Vocês vão se dar bem e muito!
FERNANDO: Sem chances...
Batidas na porta. Malvina aparece de relance.
MALVINA: Ô Nando... borá logo, sô! Num quero chegar atrasada!
FERNANDO: Pera um pouco que já vou indo...
MALVINA: Tá bom!
Malvina sai.
FERNANDO: Deixa eu ir me arrumar pra sair com a Malvina. Ocê num vai pra festa?
VITORINO: Não tenho idade pra ficar nessas festanças... Poderia levar meus parentes. Eles devem gostar da festa!
FERNANDO: Tá bom!
Fernando coloca o chapéu e sai. Vitorino sorri.
Corta para:


CENA 13. SALÃO DE FESTAS/HOTEL. INT. NOITE.
A CAM em plano geral. Os cidadãos dorenses em peso.  A maioria dos personagens. Do mezanino, Juliana e Alexandre veem a movimentação da festa.
ALEXANDRE: Deveria colocar você como Secretária de eventos da cidade!
JULIANA: Não, querido! Já está de bom tamanho ajudar por fora. Ai tá tudo tão lindo, magnífico!
Os dois dão um beijo apaixonado. A CAM acompanha o casal descendo elegantemente o lance de escadas. No fim da escada, Adelaide e Dulcinéia mantém pose altiva. As duas ficam observando Juliana. A segunda-dama percebe e fica a encarar a beata.
ADELAIDE ataca: Meretriz! Pérfida!
JULIANA: Seus venenos não vão tirar meu sorriso do rosto... Minha felicidade é meu antídoto!
Juliana segue seu caminho.
Corta para outro ponto, Fernando, Isabella, Malvina, Quinzé e Thomaz chegam à festa. Muitos casais dançam juntos. Ao som de “Coisa mais bonita - Gal Gosta”. Do outro lado da pista de dança está Cecília. Os dois se entreolham, dão um suspiro.

CONTINUA...

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