Amor & Ódio - Cap. 02
ADELAIDE
ALEXANDRE
AMARÍLYS
ANALU
BERENICE
BIANCA
CECÍLIA
DULCINÉIA
FÁTIMA
FERNANDO
GUILHERME
ISABELLA
JULIANA
LICURGO
LUIZ
MALVINA
PADRE
ALBERICO
REGINA
THOMAZ
ULISSES
VITORINO
Participações
especiais:
BATISTA
MATILDE
OFICIAL
DE JUSTIÇA
TIÃO
VICENTE
CENA
01. SALA DE ESTAR/ MANSÃO NOVAIS. INT. DIA.
Continuação imediata:
AMARÍLYS exagerando: Ó
Olavo! Olhe o que me sobrou, Olavo: Um pote de nutella que você comeria na
mesma fatia de pão! Olavo safado! Miserável! Filho da Mãe!
Isabella, Thomaz e Matilde
apenas observam até que Isabella se aproxima da mãe e pega o pote.
ISABELLA:
Pare de sofrer, mãe! Isso não é câncer. O jeito é comer!
Isabella ameaça abrir o
pote, mas Amarílys tenta pegar. As duas ficam fazendo um cabo de guerra com o
pote de nutella. “Isso é meu!, solta,
larga” são frases que elas disparam na pequena briga.
MATILDE grita:
Chega!
No momento, o pote escapa
das mãos dela e acaba caindo ao chão. A cachorrinha Penélope se aproxima e
lambe o delicioso chocolate. Matilde sai para pegar algo para limpar a
lambança.
ISABELLA:
Olha o que você fez?
AMARÍLYS:
Eu?
ISABELLA:
Você sim, mãe! Se não fosse toda sua futilidade e sua dramatização nada disso
teria acontecido!
AMARÍLYS: A
culpa é minha? Teu pai afunda nossa família na lama e a culpa é minha? Ai como
eu sofro!
A campainha toca e Thomaz
acaba atendendo. Um Oficial de Justiça adentra. Todos curiosos.
THOMAZ: O que deseja?
OFICIAL DE JUSTIÇA:
Desejo entregar esse documento para a Senhora Amarílys Novais!
O oficial empunha o
documento e Amarílys estranha.
AMARÍLYS:
Pra mim? Mas qual o assunto?
OFICIAL:
Ordem de despejo. Vocês tem dois para entregar a mansão!
AMARÍLYS:
Dois dias?
A dondoca desmaia amparada
por Thomaz.
ISABELLA:
Mas dois dias é pouco tempo!
OFICIAL:
Desculpa, mas é isso!
O Oficial de Justiça é
acompanhado por Isabella até a porta.
Corta para:
CENA
02. SALA DE ESTAR/MANSÃO DOS NOVAIS.BINT. DIA.
Tensão. Licurgo estar por
ali, anda de um lado para o outro. Vitorino adentra com sua bengala a tiracolo.
VITORINO:
Quando Fatinha me conto que estava aqui e fiquei bem surpreso, uai. O que tu
quer? Você não é de vim aqui à toa.
LICURGO:
Vim lhe fazer uma cordial visita.
VITORINO:
Posso até imaginar! Veio aqui por causa da festa da padroeira da cidade... É
dinheiro que você quer! Vou pegar o xeque.
LICURGO: Eu
não quero dinheiro, eu quero os diamantes!
VITORINO:
Diamantes? Que diabos tá falando?
LICURGO:
Você sabe muito bem! Eu sei que aqui há diamante, nesta terra tem diamante!
VITORINO: Tá
louco de pedra, só pode!
LICURGO: Eu
e você sabemos muito bem do que estou falando. Eu quero essas terras. Elas são
minhas por direito!
VITORINO:
Não tem nada teu aqui! Você não é nada e nem ninguém. Aqui você não tem
autoridade nenhuma. Nas minhas terras você não se aproxima!
LICURGO: É
o que veremos! Isso foi apenas um aviso, um sinal.
VITORINO irônico:
Ah... não se esqueça de colocar minha fazenda na lista da procissão, meu
querido sobrinho.
Licurgo sai. Vitorino sente
um leve cansaço e senta em sua cadeira de balanço. Fernando chega da rua.
FERNANDO:
Acabei de cruzar com o Prefeito, o que ele queria?
VITORINO disfarça: Veio
pedir dinheiro para a festa da padroeira.
FERNANDO:
Gosto nada-nada desse Prefeito. Não vou com as fuças dele.
Vitorino fica pensativo.
Corta para:
CENA
03. SALA DE ESTAR/MANSÃO NOVAIS. INT. NOITE.
Isabella preocupada anda de
um lado para o outro. Matilde vem da cozinha com uma bandeja de chá.
MATILDE:
Menina Bella... Vai afundar o chão de tanto ficar pra lá e pra cá. Trouxe um
chazinho pra você ficar mais calma!
ISABELLA: Ai
Matilde. Eu tô tão... tão, me sentindo tão inútil. Não sei se você já se sentiu
assim alguma vez. Ver a sua família indo pro ralo, pro poço mais fundo que
existe e não poder conseguir fazer mais nada.
MATILDE compassiva: Já!
Já me senti impotente várias vezes na vida , mas a lição mais importante é
esperar o retorno, esperar o que a vida nos traz de bom. Há uma saída!
Acredite: há uma saída!
Matilde consola Isabella com
um abraço. Isabella bem emocionada. Thomaz entra cabisbaixo.
MATILDE:
Que isso? Chegou bem cedo do encontro com os amigos.
THOMAZ: Vocês nem imaginam:
os parcas me bloquearam no Whatsapp, me excluíram dos grupos. Tá dando tudo
errado pra mim! Os meus amigos me abandonaram...
Thomaz ameaça tacar o
celular contra a parede.
ISABELLA:
Não faça isso! Não temos grana pra pagar um celular igual esse. Demorará uns
anos para juntar dinheiro... Falando em redes sociais, você viu o meu canal no
YouTube?
THOMAZ: Só vi deslikes
atrás de deslikes, Unfollow no Instagram.
ISABELLA: É
a minha ruína!
THOMAZ: Nossa ruína,
maninha. E o que será de nós?
Pequeno suspense. Amarílys
aparece descendo o lance de escadas.
AMARÍLYS: Eu
sei para onde iremos... Meu desmaio serviu para alguma coisa. Pensei. Pensei e
pensei: voltaremos para minha terra, uai: Nossa
Senhora das Dores! Partiu?
Isabella e Thomaz se
entreolham pouco perplexos.
Corta para:
CENA
04. NOSSA SENHORA DAS DORES. EXT. DIA.
Clipe. Moradores caminhando
para o trabalho. A praça da cidade. Coreto. Igreja ao fundo com um belo
amanhecer. Lojas sendo abertas. Fachada do Hotel.
LUIZ
animado OFF: Bom
dia Dona Maria! Bom dia Seu João! Bom dia Das Dores... E viva ela: a Nossa
Senhora das Dores! E para começarmos esse dia festivo teremos agora uma reza
gravada pelo nosso querido Padre Alberico.
Corta para:
CENA
05. SALA DE ESTAR/ CASA DE ADELAIDE. INT. DIA.
Rádio ligado. Em primeiro
plano, Adelaide sentada em sua poltrona. Ao fundo vemos Bianca por ali
ajeitando algo na instante. “E para
começarmos esse dia festivo teremos agora uma reza gravada pelo nosso querido
Padre Alberico.”
ADELAIDE:
Que despautério! Desligue isso, Bianca! Como pode Padre Alberico prestar uma
loucura dessas!
BIANCA: São as
modernidades, dona Adelaide...
ADELAIDE:
Modernidade. Desse jeito ninguém mais vai a Igreja... Os fiéis vão ficar
acomodados, mas hoje não é dia de pensar nisso. Não vou inquietar meu espírito
com isso!
BIANCA: Faz bem, dona
Adelaide. Maria Cecília quer ver a senhora bem, alegre.
ADELAIDE:
Sabe Bianca, eu lutei muito por minha neta. Minha filha morreu no parto, que
fora muito difícil. Eu prometi que Cecília seria uma serva de Deus, uma noiva
de Cristo. E falta pouco para que isso aconteça...
BIANCA: E fico muito feliz
por minha amiga. Essa viagem dela estreitou bastante a relação dela com Deus.
ADELAIDE:
Sim. Tenho certeza que sim. Ficarei muito feliz e agradecida a Deus quando você
e minha neta fizerem os votos perpétuos. Já está na hora da missa principal
para a saída da procissão.
Corta para:
CENA
06. RODOVIÁRIA NOVO RIO. EXT. DIA.
Um ônibus parado no
terminal. Muitos estão na fila guardando as malas de viagem. Por ali
encontramos Isabella, Amarílys, Thomaz, Matilde e Batista. Eles estão se
despedindo.
AMARÍLYS emocionada: Ai.
Como é difícil uma partida! Eu queria me desculpar por tudo que eu possa ter
causado, falado com vocês. Fiquem com Deus! Ai.
MATILDE:
Que vocês sejam felizes! (à Bella): Não falei pra você que existia saída?
ISABELLA:
Uma saída que deixa uma dor no peito, né. Muito obrigada por tudo, Matilde.
Pelos conselhos, as broncas.
Isabella puxa a empregada
para um abraço. Logo, os cinco estão abraçados. Thomaz entra no Ônibus sendo
seguido por Amarílys e Isabella. O ônibus dá a partida. “Destino: Nossa Senhora
das Dores”.
Corta para:
CENA
07. IGREJA. INT. DIA.
No altar, Padre Alberico e
dois coroinhas. A cidade em peso está presente na missa. Vemos Prefeito Licurgo
e família sentados na primeira fileira, juntamente com Alexandre e Juliana;
Adelaide está por ali com sua sombra, Dulcinéia; Delegado Xavier com suas
filhas; Vitorino, Fátima, Fernando, Malvina e Quinzé; O Padre reza o Pai-Nosso
e Ave-Maria.
PADRE ALBERICO:
Agradeço a presença de todos à missa de nossa padroeira e que Deus os acompanhe
na volta para casa.
O Padre encerra a missa.
Adelaide e Dulcinéia se aproximam da autoridade religiosa.
ADELAIDE:
Ótimas palavras, Padre Alberico. Que nossa Senhora rogue por nós por mais um
ano...
PADRE ALBERICO:
Amém! E Cecília chega quando?
ADELAIDE:
Chega hoje mesmo, só estou na expectativa pela chegada dela. Não sei o real
horário em que ela chega, mas estava pensando em fazer uma festa para a chegada
de minha neta.
DULCINÉIA: Na
realidade, a ideia é de Bianca, uai.
ADELAIDE:
Cale-se Dulcinéia! Como eu estava falando, eu pensei em fazer um chá da tarde
para minha neta e Senhor está convidado. Às 5 da tarde.
PADRE ALBERICO:
Agradeço pelo convite, Dona Adelaide. Estarei presente.
DULCINÉIA:
Quando se fala em comida o Senhor logo despertar, né Padre?
ADELAIDE:
Dulcinéia! Isso são modos de uma serva de Deus falar do reverendo? O Padre não
é a filha do Delegado Xavier que parece uma morta de fome. Ataca as comidas de
qualquer evento social que está!
PADRE ALBERICO: Vou
aplicar uma penitência em vocês duas!
ADELAIDE:
Olhe! Quem está de mexericos é Dulcinéia. Te ofendeu e tudo!
Padre Alberico deixa o
assunto e segue para a sacristia. Dulcinéia e Adelaide ficam por ali.
CENA
08. FACHADA DA IGREJA. EXT. DIA.
Alexandre e Juliana estão
saindo da paróquia quando Luiz se aproxima deles com um gravador.
LUIZ: Vice-Prefeito pode
gravar para a Rádio? O que o Senhor tem a dizer desse dia festivo?
Luiz empunha o gravador.
ALEXANDRE:
Hoje é um dia devoção à Nossa Santa! Ela merece esse dia e todos os outros
também. Eu fico muito agradecido por tudo que Ela já proporcionou a todos! Viva
Das Dores! Viva!
A CAM foca em Vitorino e os
seus deixando a Igreja.
FÁTIMA: A missa estava
maravilhosa! A cada ano o Padre Alberico nos surpreende.
MALVINA:
Verdade madrinha, mas eu estou ansiosa para a festa de mais tarde. Vai ser um
pagode daqueles, sô! Tu vem comigo, Fernando?
FERNANDO:
Sei não, Malvina. Tem que adiantar muitas coisas na fazenda.
MALVINA:
Quinzé pode fazer isso! Ele deve saber o que fazer lá. Por favor, Nando!
FERNANDO:
Está certo, eu venho!
Malvina lhe dá um abraço.
Fátima apenas observa. Vitorino fica com olhar penetrante para Licurgo, que se
aproxima do grupo.
LICURGO:
Ótima missa, não é meu tio?
VITORINO irônico:
Sim, mas acho que a Padre esqueceu de falar algumas coisas que deveria ter
falado: ganância, cobiça.
LICURGO debocha:
Avareza. É muito pecado pra pouca cidade...
Licurgo se afasta.
Corta para:
CENA
09. SALA DE ESTAR/ CASA DE LICURGO. INT. DIA.
Regina e Analu adentram a
casa. Analu repousa em um dos sofás. A jovem liga o rádio e uma música clássica
toca. Regina se deixa levar pela leveza da música e arrisca alguns passos de
balé. Analu se mostra maravilhada.
ANALU: Que linda mãe!
(bate palmas) Por que não volta a dançar balé novamente?
REGINA: Ah
Analu. Teu pai não gosta e isso prejudica a carreira política dele. Não vou
contrariá-lo por uma bobagem minha.
ANALU: Bobagem? Mãe, você
largou o sonho de construir uma carreira pelo mundo para ficar aqui nessa
pacata cidade ao lado de...
REGINA: Não
fale mais nada, Analu. Eu fiz minhas escolhas e agora não posso voltar a trás.
Quando casei com seu pai eu sabia o que iria perder.
ANALU: Uma má escolha, mas
sei que a senhora pode voltar atrás.
REGINA: Por
favor, Analu. Assunto encerrado.
Regina adentra para o
interior da casa. Guilherme vem da rua e já vai se aproximando da prima de
forma sedutora.
GUILHERME: Eu
gosto tanto de você, Analu! Dá essa chance, vai?
ANALU desvencilha: Nem
vem, Gui! Não é não! Isso não é correto. Somos primos: isso é uma coisa
abominável!
GUILHERME:
Abominável é não amar, priminha.
Analu deixa a sala no mesmo
instante indo para seu quarto. Guilherme fica por ali.
Corta para:
CENA
10. ESTRADA. EXT. DIA.
Clipe. A CAM acompanha o
trajeto que o veículo de viagens vai fazendo. Ao som de “Shallow – Lady Gaga
feat. Bradley Cooper”.
CENA
11. ÔNIBUS. INT. DIA.
A CAM foca em Thomaz ouvindo
a mesma música da trilha. Ele degusta uma maçã, enquanto admira a paisagem.
Do outro lado do corredor
está Cecília. A jovem medita nas palavras do Livro Sagrado.
CECÍLIA sussurrando: “Meu
querido é meu e eu sou dele. Ele pastoreia entre os lírios. Até a aragem do dia
e até que tenham fugido as sombras, volta-te, ó meu querido; sê semelhante à
gazela ou à cria dos veados sobre os montes de separação”. (Cântico de Salomão
1:16,17).
A jovem se movimenta
rapidamente e acaba esbarrando no olhar de Thomaz. Cecília tenta se voltar para
a Bíblia.
CECÍLIA pede a si mesma: Se
concentre na Palavra, Cecília! Se concentra!
Thomaz continua compenetrado
em Cecília e seu jeito harmonioso.
Corta para:
CENA
12. BAR. INT. DIA.
Berenice vem de dentro da
cozinha do estabelecimento trazendo petiscos na bandeja e passa para as mãos de
Ulisses que está servindo um grupo composto por Tião E Vicente. A conversa já
está adiantada.
TIÃO: ‘Ocês’ ouviram que
o tal do Saulo Cabral dedurou lá o dono da construtora?
VICENTE:
Que mundo vivemos, sô! Esse mundo de políticos é só roubalheira!
ULISSES:
Pra mim, esse tal de Saulo Cabral só detonou o tal ‘carinha’ aí pra se livrar
da cadeia.
VICENTE:
Será? Ele não tinha falado que tinha ficado com a consciência pesada e tal?
ULISSES: É
balela!
TIÃO: É conversa pra boi
dormir...
Corta para:
CENA
13. GABINETE DO PREFEITO/ PREFEITURA. INT. DIA.
Licurgo pensativo, pouco
angustiado. Está remoendo a conversa que teve com Vitorino. Medeiros, seu
assistente e capanga, adentra com alguns documentos.
LICURGO:
Preciso de fazer alguma coisa, Medeiros! Eu vou tirar tudo daquele velho
cretino: a fazenda, as terras e se puder até a vida daquele gagá!
Muito irritado, Licurgo joga
um portas-caneta contra a parede. Medeiros apenas observa um pouco temeroso. O
vilão pega os documentos do empregado.
MEDEIROS:
São documentos que precisam ser assinados urgentemente. É que estão precisando
de verba para a o posto de saúde.
LICURGO: Dê
um jeito que caía um pouquinho de verba na nossa conta. Faz o seguinte: vamos
pegar 30% daí você tira 10% e depois divide para nós dois, meu querido!
MEDEIROS:
Obrigado pelo mimo, excelência!
LICURGO:
Cortesia da casa, rapaz!
O vilão assina o documento com
um sorriso debochado.
CENA
14. ESCRITÓRIO/ FAZENDA. INT. DIA.
Fernando sentado à mesa. Ele
com alguns pápeis em mãos fazendo análises. Malvina chega com uma bandeja (bule
e uma xícara).
MALVINA:
Trouxe pra você! Fiz agora mesmo.
Ela serve o café. Fernando
em tom amigo.
FERNANDO:
Muito Obrigado, Malvina! Você sempre perto de mim... Te amo tanto!
MALVINA hesitando: Me
ama? Sério isso?
FERNANDO:
Sim. E que irmão não ama sua irmã? Você é a irmã que pedi a Deus!
Malvina sofre. Fica um pouco
cabisbaixa. Fernando se volta para os documentos, preocupado.
FERNANDO: Pode
chamar o padrinho para mim?
MALVINA:
Sim.
Minutos depois... Vitorino
adentra o local apoiado em sua bengala. Fernando se mostra muito mais
preocupado.
FERNANDO: O
que está acontecendo, padrinho? Que dívidas são essas?
Vitorino fica sem reação.
Corta para:
CENA
15. RODOVIÁRIA DAS DORES. EXT. DIA.
Muitos transeuntes passam
pelo local. Adelaide, Dulcinéia e Bianca chegam ali. A beata abre seu leque e
fica a esperar. Ao longe, Juliana caminha pela praça.
ADELAIDE:
Olhe lá: a pérfida! Aquilo ali é quenga! Olhe o porte, a pose, o jeito de
mulherzinha da vida... Desceu a escadinha da vulgaridade umas 50 vezes.
DULCINÉIA:
Tens razão. A moral e os bons costumes da nossa cidade estão ameaçados pela
perdição e luxúria da Segunda-dama.
Bianca está um pouco
incomodada, quieta. O ônibus de viagem aponta na praça.
BIANCA
feliz: Olhe! O ônibus tá chegando...
Adelaide vai se emocionando.
Emoção crescendo.
ADELAIDE:
Minha neta!
O ônibus estaciona no ramal.
Os passageiros vão descendo. Amarílys, Isabella e Thomaz descem do
veículo. A primeira tem uma expressão
confiante.
AMARÍLYS:
Sejam bem-vindos a Nossa Senhora Das Dores!
A CAM mostra a reação de
estranhamento de Isabella e Thomaz.
CONTINUA...

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